O dia seguinte do embarque adivinhou-se muito cumprido. Noite mal dormida. No pensamento ocorriam muitas mensagens: será que falta alguma coisa para adicionar na mala, temos os passaportes, e os bilhetes. Não nos vamos esquecer de nada. O caminho para Lisboa, em 45 minutos, um dia sem trânsito na capital, fez-se com um gosto especial e diferente daquele que todos os dias faço.
Olhava-se para a janela, via-se o aclarar do sol, os moinhos de vento, a paisagem do Oeste, que ás 7:30 da manhã nos parece-se meio adormecida. No caminho, ocorreu-me o pensamento: e se o carro tivesse um furo, o que fazíamos? Será que daria tempo para chegar ao aeroporto e não perdermos o voo? Estas preocupações de quem quer e muito chegar a Cabo Verde e descobrir novos caminhos.
Depois do check in feito e já na porta de entrada aguardando a hora do dito voo, puxei do meu segundo companheiro de viagem: Crime no Expresso Oriente de Agatha Cristie. Um livro que nos faz folhear e continuar a folhear, vezes sem conta, até ficarmos completamente agarrados à história. O primeiro: Morte no Nilo fez me recordar muitas passagens de uma viagem feita ao Egipto, em Lua de Mel. O Nilo e as suas margens, escondidas à margem de um povo diferente, lutador e sofredor, com uma história inigualável. Mas este trazia outro sabor: será que ia ser tão bom pensava queria. Passado o primeiro capitulo caíram-me as suspeitas que iria ser muito aquém do que eu imaginava, mas depois a escritora fez brilhar o que melhor tem de si. Em cada página desfolhada, colocava uma pontada de suspense que nos fazia querer continuar. Como se fosse uma chupa que damos às crianças e que estas querem mais.
Após vários capítulos e depois das portas já se encontrarem abertas há alguns minutos, pensei que seria a vez do derradeiro embarque. Mas não.
Estávamos a um passo do autocarro (esse magnifico transporte que nos leva até à cauda do avião) e da pequena escada que nos leva literalmente para dentro do avião. Viajar à janela, todos queremos. Eu não tive essa sorte e lá fiquei no meio do meu companheiro, que adormece em 2 minutos e de um outro passageiro. Com as novas tecnologias, este passageiro que se encontrava ao meu lado direito, estava a jogar, o que me estava a causar algum desconforto. Imaginem que estava a jogar ténis e que fazia tanta movimento repentino para a esquerda, que de 2 em 2 minutos lá estava eu a apanhar um susto. Apanhava porque estava a tentar adormecer. Ação que foi impossível durante as 3,5 de viagem.
Chegados ao nosso destino Cabo Verde e depois de descermos, colocarmos o pé fora do avião. Pensava eu "agora ainda me aguarda uma mini viagem num dos fantásticos autocarros para chegar ao aeroporto". Enganem-se. Após 100m já lá estávamos. Aeroporto Aristides Pereira. Uma fachada em pedra, alta e lá dentro a confusão de todos a querer entrar e de outro lado os restantes que aguardam este mesmo voo de volta a Portugal. Nas suas caras estava o conforto que quem ia regressar às suas casas, mas uma profunda tristeza de quem vai abandonar esta terra magnifica, com um povo acolhedor e simpático. Um único voo é realizado durante o dia. À noite é impensável a aterragem porque a iluminação é inexistente.
Uma grande cabana, portas quase não as conhecemos, um calor quente, forte e um vento que nos aquecia a alma e confortava o espirito. Agora sim. Já faltava muito pouco para começar as aventuras oficiais dos Xu's.
Afinal, sempre tínhamos mais um transporte para fazer, mas desta vez até ao resort e esta seria uma viagem diferente. Uma paisagem que não nos era familiar, mais clara, mas escura ao mesmo tempo. Com um mar lá longe e um horizonte que nos faz esquecer tudo.
XU
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