O dia começa com um sol escondido entre as nuvens. O ritual esse mantém-se, uma foto matinal. Preparados para o pequeno almoço, que se adivinhou longo, dando tempo de provar ementas que no dia anterior não tínhamos conseguido alcançar. Pretendíamos provar um pouco de tudo, mas essencialmente as panquecas, os olhos e o bacon. As panquecas, essas eram um pouco deslavadas. A água colocada era muito ou seria para produção de mais. De qualquer forma nada como uma boa dose de chocolate ou mel e canela não servissem para disfarçar.
Com o pequeno almoço já tomado, vimos que as nuvens estavam cada vez mais próximas e pensamos na possibilidade de chover. Mas sabíamos que essa probabilidade seria muito remota, uma vez que, quase nunca chove em Cabo Verde. Decidimos que iriamos caminhar na praia. Um imenso areal, quilómetros de areia branca, dunas naturais de cortar a respiração e ao fundo um pequeno amontoado de pedras.
Destino= chegar à ponta da ilha, até onde a nossa vista alcança. O percurso era fantástico, com uma excelente companhia e sozinhos de outros turistas ou habitantes. Estávamos espantados pela imensidão das praias desertas e só para nós. Tudo aquilo era nosso. Com o pé na água, lá fomos nós, quilómetro após quilómetro, com uma boa conversa, com momentos de puro silêncio, com suspiros profundos e maravilhosos. Avistamos algumas coisas estranhas pelo caminho. Peixe balão morto, ar nojento. Um pequeno barco "mascarado" de paus grandes e pequenos e por fim um rasto. Já tínhamos ouvido da história das tartarugas, que vão aquela ilha desovar, e pensámos: "será". Será isto o que estamos a pensar, seria bom demais. O caminho do peso da tartaruga, aqueles pequenos rastos à direita e à esquerda, o monte que se fazia bem acima. Sim, era uma tartaruga que ali tinha estado. A excitação e o entusiasmo eram imensos. E os ovos? Estariam ali? Foi neste instante que se apoderou de mim a necessidade de ver se realmente estavam ali ovos ou não. Pouco a pouco, pau entre pau, lá fui eu escavando, devagar, para ver se alcançava algum ovo. Desisti. O sol era intenso e a possibilidade de danificar algum era grande demais. E acima de tudo, são um animal em vias de extinção. No fundo, eu queria. Queria ver, queria sentir que realmente ali tinha estado uma tartaruga que deixou as suas crias para daqui a 45 dias nasceram. Mas, nem sempre temos o que queremos.
Hora de voltar ao nosso caminho de areal extenso, lá fomos enquanto as horas passavam por nós. Chegados à ponta, decidimos passar para o outro lado. Um caminho a pique e o desejo de ver o que estava por detrás daquele areal era enorme.
Lá fomos, sempre cuidadosos. Nunca sabemos o que pode acontecer, mesmo no sitio mais pacifico do mundo acontecem as coisas mas estranhas. Do outro lado, um enorme terreno, plano, seco, árido e com algumas vacas. De cima a vista ainda era mais deslumbrante.
Continuamos a nossa aventura, mas desta vez até a uma ponta que avistamos e que na nossa vista se confundia com uma pessoa lá longe. Chegados. Cheiro de marzia intenso, pedras negras, pó e um mar que batia entre as pedras. Parecia um sitio acabado de descobrir e era só nosso. Sentamos. Respiramos e ali estivemos durante uns bons e magníficos minutos. Levantamos e pensamos: Isto sim é vida!
Fazia lembrar Porto das Barcas, nos seus tempos primitivos, com poças para as crianças brincarem, limo verde. Mas era Cabo Verde. Cabo verde, longe da civilização. Longe de carros, longe dA poluição.
A meta, essa agora era voltar: no mínimo seria mais 1h30 a andar em sentido contrário para chegar ao hotel.
O percurso esse já foi um pouco mais rápido. Umas fotografias tiradas a meio para recordação. Um caminhar rápido para se ir almoçar.
O bronze esse apesar de estar com ar de chuva, fez-se sentir nas nossas peles no dia seguinte.
Uma última paragem pelo caminho antes da refeição, um grande banho para sentir aquele sal a entranhar nas nossas peles. Um, dois, três e já lá estávamos dentro. Nadamos, sentimos, nadamos e saboreamos Cabo Verde.
Depois do almoço, era tempo para a praia novamente. Para colocar o sono em dia ao ler um livro, acordar com o barulho dos pássaros que por ali passavam. E assim foi. Acordamos, bebemos, jogamos, fomos ao banho e já estava na hora de subirmos uma escada enorme de volta ao nosso quarto.
Os dias escurecem mais cedo. E por isso, o final do dia era quase sempre aproveitado na piscina, para enchermos o olho com a paisagem.
Mais um dia, mais um ritual: Jantar, provar aqueles sabores intensos e ver um espetáculo único elaborado pelo hotel. Desta vez seria de magia e acabava mais uma vez com a música que rapidamente ficamos a conhecer.
Prontos para ver a potencialidade da discoteca, lá fomos nós. Música cabo verdeana, pensávamos nós. Durante uns 15 minutos o que ouvíamos apenas era música comercial, que todos conhecemos. A desilusão de não estarmos a ouvir a música tradicional era muita. Mas, tínhamos de saber viver com aquilo. Aproveitamos as bebidas e fomos a caminhar em passo lento até ao quarto, onde o sono se adivinhava para mais um dia emocionante. Sim, era o dia que íamos ver as tartarugas.
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